CORONEL FERNANDO PRESTES

Esse pedido de voto para o Coronel foi publicado no jornal O Commercio, de Itapetininga, em 21 de setembro de 1913.

http://www.ihggi.org.br/pag.php?pag=fernandoprestesdealbuquerque

A Itapetininga, terra de gloriosas tradições cívicas, coube, em seu exuberante passado de brasilidade, servir de berço a grandes mestres do civismo pátrio, dentre os quais se alteia a figura inconfundível do CORONEL FERNANDO PRESTES DEALBUQUERQUE.

Foi em uma de suas paragens, então denominada Espírito Santo da Boa Vista, que, aos 26 de junho de 1855, o futuro patriarca da grei bandeirante veio ao mundo, enriquecer, com a sua integérrima energia moral, o patrimônio cívico de sua florescente cidade natal, do glorioso Estado de São Paulo e da Nação brasileira.

Concluídos os primeiros estudos, em conceituados colégios do Lageado e de São Paulo, voltou às lides agrárias, enobrecedoras de tantos valores da humanidade e forjadoras da grandeza da pátria.

Fixando-se na cidade, a Itapetininga que tanto engrandeceu, formou, desde logo, ao lado dos nossos maiores, lutando, com Joaquim Leonel, Matias Klein, Edmundo Trench e Joaquim Fogaça, pela libertação da escravatura.

Pouco depois, batia-se donodadamento pela extinção do regime monárquico, tendo encontrado campo propício ao seu espírito combativo no Clube Republicano, presidido por José Leme Brisola, e no Gabinete José de Alencar, futuro Clube Venâncio Aires, que congregava a elite social, cultural e cívica de Itapetininga.

Proclamada a República, o Coronel Fernando Prestes fez parte do governo provisório local com o Dr. Coutinho, Xisto Brisola, Joaquim Fogaça e Major Fonseca, e da intendência que a sucedeu, com José Leme Brisola, José Rolim, Belmiro Amaral e Sivleira Garcia.

Em 1891, foi dos primeiros a se manifestar em oposição ao Presidente da República Marechal Deodoro da Fonseca, que vinha de golpear o regime recém estabelecido com a dissolução do Congresso Nacional.

Suas atitudes desassombradas, enérgicas, porém conscientes e patrióticas, levaram o seu nome a transpor os umbrais de Itapetininga, que já o elegera seu representante na Câmara Estadual.

Encontrou-o lá a Revolta de 1893, porém, o seu caráter aguerrido levou-o a trocar as armas da paz pelas da luta, assumindo o comando da Zona Sul, de Itapetininga à Itararé.

Tão assinalados serviços prestou à defesa da legalidade, que, cumulando com as da Guarda Nacional, recebou do governo da República as honras de Coronel do Exército Brasileiro.

De volta à Câmara Estadual, foi eleito seu vice-presidente, cargo que veio a renunciar para representar São Paulo no parlamento nacional em 1897.

No ano seguinte, o seus concidadãos foram buscá-lo para assumir o governo do Estado, em quanto Campos Sales se candidatava à presidência da República.

Na notícia abaixo , o Coronel sendo eleito para a maçonaria:

Como grande democrata que era, registra a história, queria revestir-se da serenindade necessária para governar com justiça e a coberto das paixões partidárias. Eis porque se afastou da Comissão Diretora do Partido Republicano Paulista enquanto durou o seu mandato.

Nesses poucos anos em que manteve, em suas sempre honradas mãos, as rédeas do governo, em uma fase das mais delicadas da vida econômica do Estado, em que senão podia fazer um governo brilhante, mereceu os aplausos e a gratidão dos paulistas.

Como disse um comentarista na época: “” Se há mérito em governar bem em situações normais, o mérito é imensamente maior quando a situação é realmente difícil e espinhosa”.

A dois problemas capitais deu imprescindível solução. Conseguiu normalizar as finanças, sem paralisar as obras e melhoramentos públicos, e dispensou à higiene os cuidados necessários, principalmente no eficaz combate á peste bubônica, que ameaçava as populações de Santos e São Paulo, e a febre amarela, que grassava em Sorocaba.

Ao deixar o governo, foi reeleito deputado federal, em duas legislaturas consecutivas, liderando a bancada paulista e depois a maioria.

 

Não se pode, nesta altura, omitir em lance emocionante de sua existência. Custodio José de Melo, julgando-se ofendido em sua honra, desafia Valois de Castro a bater-se em duelo. Ante à gravidade do incidente, antes que Valois decidisse entre os deveres de sacerdote e o brio da raça paulista, uma voz se agigantou. Era Fernando Prestes que, como líder da bancada, assumia a responsabilidade da ofensa, aceitando o desafio do Almirante. Custódio, porém, retirou a luva.

 

Nunca admitiu qualquer desconsideração a São Paulo, repelindo sempre, com energia, as ofensas assacadas, ostensiva ou veladamente, á sua terra.

Homem de luta, era, entretanto, Fernando Prestes, bem o símbolo da lealdade. Nas questões internas do Partido, em geral, o seu caráter prudente e conciliador a tudo punha cobro. A sua austeridade impunha respeito aos adversários.

E, quando alguém, menos avisado, se excedia, a sua atitude ia até ao estremo.

 

Contava-se que, líder da bancada na Câmara Federal, “provou ao sr.Varela que os bordados de um oficial não se ofendem impunemente.” Não tendo, no momento, a sua espada, cujos copos trazem as águias de muitas vitórias, fez de um tinteiro arma de guerra e, da cara do sr.Varela, alvo firme e bem seguro.”

A trajetória de sua longa existência, que alguém já disse ter sido das mais belas que já foram vividas neste mundo, está toda ela sulcada de gestos e atitudes nobres, sempre lembrados com respeito e comoção.

 

Soube-se, após a sua morte, que se fez derrotar nas eleições de janeiro de 1906, a fim de não sacrificar um companheiro de chapa.  È um dos exemplos de desprendimento, incomum, que freqüentemente se aponta aos sequiosos de posições.

 

Pouco depois, ao ser eleito senador estadual obteve, juntamente com Bernardino de Campos, a maior votação do Estado, que lhe assegurava um mandato de 9 anos.

Porém, em 1908, já era eleito vice-presidente do Estado e, ao findar-se o quatriênio, veio a assumir o governo, precisamente no ardor da campanha civilista, em substituição a Albuquerque Lins, que concorria a vice-presidência da República.

 

Fervoroso adepto de Rui Barbosa, colocou-se, embora, acima das injunções partidárias, agindo com moderação, sem dar ouvidos a companheiros exaltados que pleiteavam a demissão de funcionários declaradamente Hermistas.

 

Nas duas vezes em que exerceu a suprema magistratura do estado, caracterizou-se a sua atuação pela absoluta ausência de arbitrariedades. Jamais foi responsabilizado, mesmo por adversários, por atos de violência.

 

Outra face de sua personalidade de escol foi o acentuado escrúpulo nas questões financeiras, a perfeita lisura com que se houve no trato dos dinheiros públicos, qualidade, aliás, inerente á sua reconhecida probidade.

 

Terminado o mandato de vice presidente, retirou-se à sua fazenda em Itapetininga, a fim de retemperar-se dos exaustivos encargos e naturais abrolhos da vida político-administrativa.

 

No ano seguinte, 1913,  entretanto, o voto consciente de seus concidadãos reconduziu-se ao senado estadual, ao mesmo tempo em que o Partido Republicano Paulista fazia-o retornar à sua comissão Diretora.

 

Em 1922, no governo Washington Luiz, ocupou novamente a vice-presidência do Estado, eleito em substituição ao coronel Virgilio Rodrigues Alves.

Ao terminar esse mandato, em novo e belíssimo pleito, escolheu-o o povo para ocupar, mais uma vez, esse cargo, agora em companhia do presidente Carlos de Campos. Foram empossados em maio de 1924.

 

Ao governo que se iniciara, há alguns meses apenas, se opuseram militares e outros revolucionários, que, sublevando a ordem publica, atacaram o palácio dos Campos Elísios.

 Isolado o Presidente pelos revoltosos, Fernando Prestes não vacilou em assumir a defesa da legalidade, sediando-a em Itapetininga.

Imediatamente recebeu apoio das cidades vizinhas e de homens públicos, entre os quais Washington Luiz e Ataliba Leonel, que constituíram, com Fernando e Julio Prestes, a grande resistência da luta.

 

Ia, em meio a revolução, quando, certo dia, chamado ao telefone, Fernando Prestes foi surpreendido com um convite do general Isidoro Lopes para, sob a garantia  dos rebeldes, assumir a Presidência do Estado. A sua resposta foi imediata, simples e enérgica: “Receberia a presidência transmitida espontaneamente pelo dr. Carlos de Campos; de uma junta revolucionária nunca!”

Os batalhões patrióticos, que organizaram e comandaram pessoalmente, após duríssimos embates, conseguiram assegurar a vitória governamental, possibilitando o restabelecimento da tranqüilidade na vida administrativa de São Paulo.

 

Antes de se findar o quatriênio, Carlos de Campos foi, tão prematuramente, arrebatado ao convívio dos compatriotas e ao governo de sua terra.

Fernando Prestes, já idoso e com a saúde combalida, excusou-se de assumir a Presidência, renunciando ao seu cargo e retirando-se para Itapetininga.

Foi quando, como que impossibilitado de se conformar com o inevitável dos acontecimentos, o povo paulista chamou Júlio Prestes para o seu governo, entregando as excelsas qualidades do filho que a benemerência do pai tanto auxiliou a construir.

 

Durante os longos anos em que empregou a sua energia e civismo de bandeirante ao serviço da Pátria, jamais olvidou os companheiros da cidade natal, nos quais sempre encontrou, também, a maior dedicação, pois nele depositavam incomensurável confiança, rara admiração e grande respeito.

Jamais descuidou dos deveres de chefe de partido, ou melhor, diríamos, de chefe da família itapetiningana, que se orgulhava e ainda se orgulha hoje, de ter uma bandeira com o nome impoluto de Fernando Prestes de Albuquerque.

 

Aquela figura, ao mesmo tempo austera e afável, era o ídolo de sua gente.

A acessibilidade era um dos traços de seu caráter e de suas atitudes, que guardamos com especial carinho.

Quantas vezes, ele deixou, por momentos, a companhia de influentes políticos, para ir abraçar, do outro lado da rua, um rústico caboclo ou um velho preto, que não tinha pejo em conservar como amigos.

 

O que mais se lhe admirava, diz Cândido Mota Filho, era a coragem cívica e a bravura pessoal.

Na verdade, em todas as passagens de sua vida, em que se puseram á prova as suas qualidades, avultaram exemplos de civismo e destemor.

Sobrevindo a revolução de 1930, afastou-se definitivamente das lides políticas.

 

Entretanto, não o conseguiu fazer das atividades públicas, pois o seu experimentado tino de administrador fez com que amigos ainda o retivessem na direção de importantes empresas. Exerceu, assim, com grande proficiência, os cargos de diretor do Banco Noroeste do Estado de São Paulo e da Companhia. Mogiana de Estradas de Ferro.

 

O seu sepultamento em Itapetininga, a 26 de outubro de 1937, constituiu autêntica consagração popular. Em meio à torrencial chuva que caia, era comovedor ver-se a multidão que ansiava por prestar-lhe as últimas homenagens.

 

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5 Respostas to “CORONEL FERNANDO PRESTES”

  1. luísa maestrelli Says:

    Olá,

    Eu sou estudante e atualmente faço estágio no Instituto Agronômico de Campinas e estou realizando uma pesquisa ampla e minuciosa sobre informações do café desde o ano de 1920 até a atualidade. Achei o site muito interessante e imagino que haja um conteúdo que possa colaborar com a pesquisa.

    Obrigada,
    Luísa D’Arezzo Maestrelli
    55 19 32423257
    55 19 81968004

  2. Carlos Says:

    Olá, sou de Angatuba e estou fazendo um estudo sobre a Fazenda das Areias, local de nascimento do Cel. Fernando Prestes de Albuquerque. Será possível me enviarem alguma imagem desta fazenda, caso seja possível.

  3. Renato Lemes Santana Says:

    ola sou sou bisneto de francisca prestes de Albuquerque, não tenho a informação se ela era irmã de Fernando prestes ou Julio prestes meu avô era filho de francisca prestes de Albuquerque e Diogo lemes batista da cidade de Angatuba. hoje resido em jandaia do sul, estado do parana. tenho documentos de meu avô que comprovam este parentesco.

  4. leopoldina augusta moya bonilha Says:

    preciso localizar busca de meu bisavô sr. MANOEL MOYA, que veio da Espanha em 10.06.1909 porto santos e foram para Itapetininga fazenda de Cel.Fernandes Prestes.veio com esposa VALENTINA GALLEJO e filhos; Maria,Praxedes,Indalecio,Manoel

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