JÚLIO PRESTES DE ALBUQUERQUE

Nasceu em Itapetininga, em quinze de março de 1882, filho do Coronel Fernando Prestes de Albuquerque e de Dona Olímpia de Sant’Ana Prestes.

 

Fez os primeiros estudos em Itapetininga e, posteriormente, em São Paulo, onde diplomou-se pela Faculdade de Direito, em 1906. Exerceu a carreira de advogado com grande sucesso.

Em 1909, foi eleito deputado estadual e reeleito nas cinco legislaturas seguintes. Em 1924 foi eleito deputado federal e líder da maioria.

Em 1927, com o falecimento de Carlos de Campos, foi eleito presidente do Estado. Dirigiu os destinos de São Paulo durante três anos, realizando uma das mais prósperas administrações.

Deve-se a Júlio Prestes a incorporação da Estrada de Ferro Sorocabana ao patrimônio do Estado, a construção da Mairinque-Santos, do Palácio da Justiça, da Faculdade de Medicina, do Instituto Biológico, do Parque de Indústria Animal, do Manicômio Judiciário, do Museu Agrícola e Industrial, dos asilos-colônias Cocais, Aimorés e Pirapitingui, bem como do novo Código do Processo Civil e Comercial.

Em 1930, foi eleito Presidente da República. Lamentavelmente, a Revolução o impediu de assumir o Governo. Exilado, esteve em diversos países da Europa até que, em 1934, com a promulgação da Constituição, pôde retornar à sua Pátria, e à sua Itapetininga.

Viveu na cidade, dedicando-se exclusivamente à exploração de sua Fazenda das Araras e somente por duas vezes veio à público: para erguer o brado de revolta do Brasil contra as covardes agressões de nossos navios por submarinos do eixo; e em 1945, ao lado das forças democráticas, na campanha de libertação nacional contra a ditadura.

Foi escritor e poeta eminente, autor de magníficos trabalhos forenses, parlamentares e jornalísticos, além de apreciadas poesias, que compôs desde sua mocidade.

Faleceu em São Paulo, no dia nove de fevereiro de 1946, tendo sido sepultado em Itapetininga, com grande acompanhamento e com as honras de Chefe de Estado.

Deixou três filhos, de seu casamento com Dona Alice Viana Prestes:
– Marialice,
– Irene e
– Fernando Prestes Neto. (fonte: Itape Digital)

Bacharel em direito, advogado brilhante, seu nome era logo lembrado às causas forenses de maior vulto, responsabilidades de que se desobrigava com notável erudição e talento.
Formado em 1906, já em 1909 era eleito deputado estadual, iniciando-se a sua ascensional carreira de homem público, em cujo decurso demonstrou rara grandeza moral, perfeita dignidade política, méritos inconfundíveis de probidade e acendrado amor ao Brasil.
Na Câmara, competiram-lhe a estudo problemas transcendentes da mais complexa solução. Posto, assim, à prova todo o vigor de sua cultura e de seu civismo, Júlio Prestes conquistou a admiração de seus pares e a compreensão do povo, – os primeiros conduzindo-o à liderança da bancada, o último reelegendo-o em cinco legislaturas consecutivas.
Os anais da Câmara dos Deputados são ricos em estudos e trabalhos e parlamentares de sua autoria.
Uma das iniciativas brilhantes, que sustentou com ardor, da tribuna da câmara e na imprensa de São Paulo e do Rio, foi a incorporação da E. F. Sorocabana ao patrimônio do estado, e que teve a satisfação de ver convertida em lei, com grandes vantagens para o povo paulista e seu governo.
Em 7 de setembro de 1922, centenário da nossa emancipação política, proferiu primoroso discurso, no Rancho de Paranapiacaba, inaugurando os monumentos comemorativos, erigidos no caminho do Mar. Obra de aureolado valor literário, fulgente de civismo e ensinamentos históricos, honra sobremaneira as letras pátrias.
Em 1924, foi eleito deputado federal, deixando a representação do povo junto ao poder legislativo do Estado, para representá-lo no cenário nacional.
Deflagrada a revolução na Capital paulista, veio unir-se ao seu valoroso progenitor, para, juntamente com o general Ataliba Leonel e o senador Washington Luiz, organizarem e comandarem pessoalmente a destemida coluna Sul, dos patriotas de Itapetininga, que puseram em fuga os revoltosos da Sorocabana.
De volta a Câmara Federal, como líder da maioria, desenvolveu notabilíssimos trabalhos em prol da justiça, das finanças e da legislação social. Foi o autor e defensor do projeto de assistência as classes pobres, conseguindo que se transformassem em lei as pensões e aposentadorias dos operários ferroviários.
Na sua reeleição para a legislatura de 1927 a 1929, foi o mais votado candidato do Brasil, alcançando mais de sessenta mil votos.
Na culminância de sua carreira parlamentar, com o desaparecimento prematuro de Carlos de Campos, São Paulo reclamou Julio Prestes para o governo do Estado.
Eleito presidente, deu início a uma das mais fecundas administrações que São Paulo já teve.
Obras de vulto, realizações de pulso, pelo arrojo e grandiosidade, que somente a larga visão de notável estadista, aliada ao seu dinamismo insuperável conseguiu transformar em realidade. São cometimentos destinados a perpetuar através dos séculos a memória de seu realizador.
Cuidou primeiro da terra, a fonte de todas as riquezas.
A cultura do café e do algodão foi incentivada com a distribuição e seleção de sementes para o plantio, proporcionando aumento e melhoria dos produtos. Criou e fez construir o grandioso Parque da Defesa Animal da Água Branca; incrementou a citricultura, o cultivo da cana de açúcar, e seu aproveitamento na produção do álcool-motor. 

Foram melhoradas e multiplicadas as vias de comunicação, construindo-se novas estradas e reformando-se completamente a Sorocabana, que veio a se transformar “na melhor estrada de ferro de sua categoria, na América do Sul”.

 

A obra gigante de Júlio Prestes nesse setor foi, porém, o planejamento arrojado e a construção que iniciou a Mairinque-Santos, a fim de permitir o escoamento da produção e entrada de mercadorias por aquele porto, com o transporte já livre de monopólio.

 

São Paulo atingiu o período áureo de sua vertiginosa ascensão na senda do progresso com o incremento que deu Júlio Prestes às iniciativas particulares, promovendo a reforma do calçamento da cidade, remodelando a iluminação pública e construindo obras monumentais. O Palácio da Justiça, a faculdade de Medicina, o Instituto Biológico, o Jardim Botânico são realizações que, ao lado de sua incontestável serventia, contribuíram para tornar a Capital do Estado, pela majestade de seu vulto, a invejável metrópole de nossos dias.

 

A previsão do grande estadista, que já então superava o parlamentar, denunciou-lhe a insuficiência do serviço de abastecimento de água á Capital. Atacou de frente o problema, conseguindo, com o aproveitamento da represa de Santo Amaro, dotar São Paulo do abastecimento que o vem suprindo há muito anos.

 

O café, que na sua cultura, na sua industrialização, e no seu comércio, representou a base do desenvolvimento econômico e da grandeza de São Paulo, recebeu merecida atenção, com soluções concretas, de elevado alcance, destacando-se reforma do Instituto da Defesa do café e a reorganização do Banco do Estado, que possibilitaram o equilíbrio do produto e o amparo ás maiores safras até então produzidas no Brasil.

 

São de seu governo também: a criação do Museu Agro Industrial e a construção do Pavilhão de Química da Escola Agrícola de Piracicaba: a criação do Manicômio Judiciário, a instituição da Colônia Correcional, a ampliação da Penitenciaria: a promulgação do código do processo Civil e Comercial do Estado; a ampliação do serviço sanitário o combate a febre amarela e a tifóide; a campanha contra a lepra, concretizada na conclusão do “Santo Ângelo” e na construção dos asilos-colônias “Aimorés”, “Cocais” e “Pirapitingui”; a criação e instalação de mais de mil escolas primárias e cursos secundários e outros de especialização.

 

Entrou, assim, no último ano de governo, após cumprir integral e satisfatoriamente todos os problemas previstos em sua plataforma, além de centenas de outras realizações, uma das quais somente bastava para torná-lo digno da gratidão de um povo.

Findar-se-ia, no ano seguinte, o mandato presidencial do Dr.Washington Luiz e foi para a escolha do seu sucessor que se instalou no Rio a Convenção Nacional, reunindo a maioria absoluta das municipalidades do Brasil.

 

Nessa assembléia, genuinamente democrática, a vontade do povo manifestou-se para indicar o seu candidato á sucessão presidencial, aclamando solene e entusiasticamente o nome de Júlio Prestes.

Após memorável campanha política, em que se houve com elevação e serenidade, foi conclamado pelas urnas magistrado supremo da Nação.

 

Reconhecida a eleição pelo Senado e a posse marcada para 15 de novembro do mesmo ano, empreendeu Júlio Prestes viagem aos grandes países do velho e do novo mundo.

Nos Estados Unidos, em Portugal, na Espanha, na França, na Inglaterra, foi recebido com magníficas demonstrações de simpatia, sendo-lhe prestadas as maiores homenagens até então tributadas a um homem público estrangeiro.

 

Voltou á Pátria após engrandecê-la no exterior, como a havia engrandecido nos postos que ocupou. Conseguiu aumentar os interesses dos capitais americanos e europeus pelo Brasil, firmando, em todos os países por que passou, juízo idôneo e seguro a respeito do Brasil, suas instituições e seu povo, suas riquezas e possibilidades.

Enquanto buscava ensinamentos e a amizade das grandes nações, para a tarefa próxima, medrada no Brasil um golpe de estado, conseguindo, as forças vindas do sul, apoderar-se do governo federal e determinar o exílio dos mandatários depostos.

 

Essa revolução, que segundo um de seus chefes, o ex- presidente Arthur Bernardes, foi “a maior desventura que podia desabar sobre a Pátria, reduzindo-a esta situação de ruínas e de miséria”, serviu para aclamar a honestidade de Júlio Prestes nos cargos que ocupou. As juntas “inquisitoriais”, criadas para apurar responsabilidades, cerraram suas portas por falta de crimes e punir.

 

Com o exílio iniciou-se a etapa cruciante da vida de Júlio Prestes, mas a menos digna, porque esta, ele não a teve. Não houve, na verdade, no decorrer de sua luminosa existência, um instante que denegrisse o outro.

 

Apesar da rudeza do golpe, Júlio Prestes soube suportá-lo com dignidade. E, no exílio, continuou a sentir os anseios nacionais de seu país, ainda com maior intensidade.

Em Portugal, procurou congregar brasileiros e portugueses, conseguindo “maiores e melhores resultados para o aperfeiçoamento das relações luso-brasileiras do que as mais brilhantes embaixadas”.

 

Após quatro anos de exílio, quando o Brasil entrava no regime democrático com a Constituição de 1934, retornou ao seu país, onde foi recebido carinhosamente pelo povo, que exultou ao rever a figura querida de Júlio Prestes.

 

Dirigiu-se a terra natal, em busca da Fazenda que aqui possuía, para demonstrar que no amanho da terra também se pode engrandecer a Pátria.

Desse ostracismo voluntário saiu por três vezes, para se dirigir a Nação.

A primeira, para colocar a disposição da Pátria tudo quanto representava, no instante de guerra com a Alemanha e Itália.

 

Alguns anos após, a convite do Ministro Salgado Filho, paraninfou o batismo do avião “Fernando Prestes”, proferindo vibrante discurso, incentivando a campanha pela aviação nacional.

 

Em 1944, quando soaram as primeiras clarinadas da liberdade, ante as quais ruíram órgãos opressores do governo, foi Júlio Prestes convocado para a brilhante jornada, em favor do candidato das oposições, que expressava o ideal democrático do povo brasileiro.

 

Pouco depois, pertinaz enfermidade, que a medicina foi impotente para debelar, marcou os últimos de seus dias.

Foi a 9 de fevereiro de 1946, que Júlio Prestes deixou o mundo, para se levantar na imortalidade do pensamento nacional e no coração do Brasil. 

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Comovedoras manifestações de pesar pela morte do Sr  Júlio Prestes,

vendo-se aspectos do cortejo fúnebre, do desfile popular diante do corpo na matriz de Itapetininga, e das ultimas despedidas junto ao jazigo da família, quando falavam os senhores  Roberto Moreira, Julio de Mesquita Filho e José Elias de Melo.

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O catireiro e o cateretê:

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Uma resposta to “JÚLIO PRESTES DE ALBUQUERQUE”

  1. Theophilo Salem Says:

    O Brasil seria um pais de primeiro mundo se Julio Prestes tivesse assumido o destino do Pais. Mas o destino não quis . Foi uma oportunidade ímpar perdida dentro da República . Outra oportunidade perdida foi a destituição de Dom Pedro II e da Monarquia. Assim caminha o Pais nas trevas do seu infeliz destino, fadado a ser um pais de terceiro mundo e sem grandes esperanças para as futuras gerações .

    De um conterrâneo do Dr. Julio Prestes

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