PRP – CELEIRO DE ESTADISTAS

 Foto dos próceres do PRP, em 1914, reunidos no velho e saudoso Correio Paulistano.

CLIC NA FOTO para ampliá-la… e veja o que é uma reunião de estadistas de primeiro naipe.

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CARLOS DE CAMPOS

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O Partido Republicano Paulista (PRP) foi um partido político brasileiro fundado em 18 de abril de 1873, durante a Convenção de Itu, que foi o primeiro movimento republicano moderno no Brasil.

Seus adeptos eram chamados de perrepistas. O PRP foi o partido político predominante no Estado de São Paulo durante toda a República Velha.

PALACIO DOS CAMPOS ELISIOS – DESTE PALACIO O PRP COMANDOU SP DE 1908 A 1930

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O PRP foi extinto em 2 de dezembro de 1937. Portanto o PRP junto com o Partido Conservador e o Partido Liberal, são os partidos de mais longa duração da História do Brasil.

ABAIXO O VELHO DR. ANTONIO DA SILVA PRADO QUE GOVERNOU A CAPITAL POR 10 ANOS E POR 30 ANOS A MELHOR FERROVIA DO MUNDO, A PAULISTA.

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ORIGEM

O PRP foi um partido com existência legal mesmo na fase do Império do Brasil.

Seu órgão oficial era o jornalCorreio Paulistano“. Jornal que foi empastelado (destruído) em 1930, quando da vitória da Revolução de 1930. Outros jornais apoiadores do PRP também foram empastelados, entre eles a “Folha da Manhã”, atual Folha de S. Paulo.

Compunha-se de profissionais liberais (advogados, médicos, engenheiros etc.) e, sobretudo, por importantes proprietários rurais paulistas, as chamadas classes conservadoras, partidárias da imigração de mão-de-obra européia para as lavouras de café e da abolição dos escravos.

Quase toda a cúpula do PRP, na época se dizia “próceres”, eram membros da maçonaria.

Seu primeiro jornal foi o “A Província de S. Paulo”, hoje O Estado de S. Paulo.

O objetivo primordial do partido era implantar no Brasil uma federação republicana, com um alto grau de descentralização administrativa, o que inexistia durante o período imperial (18221889).

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NA FOTO ACIMA PRÓCERES DO PRP EM 1909, O QUARTO DA ESQUERDA PARA A DIREITA É O JOVEM E PROMISSOR SECRETARIO DA SEGURANÇA DR. WASHINGTON LUIS.

Outra importante reivindicação dos republicanos era o retorno dos impostos arrecadados à província (depois estados) de origem.

O PRP viveu, na oposição, de sua fundação, em 1873, até a Proclamação da República. Voltou a ser um partido de oposição, após a Revolução de 1930. Permanecendo na oposição, de 1930 até sua extinção, com o advento do Estado Novo, em 1937.

 

O PRP e a República Velha

Com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, iniciou-se um novo ciclo de poder político no Brasil, chamado de República Velha.

O PRP só tinha existência legal dentro do território paulista e com a extinção dos Partidos Conservador e Liberal após a proclamação da república, passou a ser, praticamente, o único partido político existente em São Paulo. Alguns partidos tiveram existência efêmera no estado de São Paulo no início da República.

O PRP elegia todos os presidentes de São Paulo e todos os senadores e deputados estaduais. O PRP enfrentou uma frágil concorrência do Partido Republicano Federal (PRF) de Francisco Glicério de ideologia municipalista e do Partido Republicano Conservador (PRC).

Coube a Campos Sales, quando presidente do Estado de São Paulo, em 1897 e 1898, enfraquecer o PRF e o municipalismo, pressionando os coronéis do interior do estado a aderirem ao PRP.

Esta atitude de Campos Sales foi como um embrião do que, depois, ele faria a nível nacional: a Política dos Estados, ou Política dos governadores. Um dos líderes do interior de São Paulo que aderiram ao PRP e depois se tornou um importante líder do PRP foi o Dr. Washington Luís.

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O PRP, então, ascendendo ao poder com a república, coloca em prática seu programa político de descentralização administrativa, criação de escolas, defesa do café e modernização do estado e da economia, separação da Igreja Católica do estado brasileiro, sendo influenciado muito, além da maçonaria, pelo positivismo.

A nível municipal havia disputas políticas, quando mais de um coronel disputava o poder local, políticos da capital então se dividiam apoiando um ou outro coronel para os cargos municipais.

Nas pequenas cidades do interior de São Paulo, o líder local do PRP era o tipo do Coronel, em geral o líder da Loja Maçônica local. Às vezes, dois ou mais coronéis disputavam o controle de PRP local.

DIPLOMA DE MEMBRO DO PRP

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Os grupos políticos locais recebiam apelidos como os Araras contra os Pica-Paus. Mas sempre havia candidato único à presidência do estado.

A República Velha dividiu-se em dois períodos. Inicialmente instalou-se a denominada República da Espada, com os governos militares de marechal Deodoro da Fonseca e o marechal Floriano Peixoto consolidando o regime republicano no Brasil.

O PRP, através de seu principal líder e ideólogo Campos Sales com a sua “Política dos Estados”, que era mais conhecida como Política dos Governadores, foi o partido político que teve importância decisiva no afastamento dos militares da política no início da República.

Revezavam-se no poder, representantes do Partido Republicano Paulista e do Partido Republicano Mineiro (PRM), que controlavam as eleições e gozavam das classes conservadoras, de outros estados do Brasil.

Com o novo regime republicano, PRP deixa de ser um partido de classe social, como era durante a monarquia, quando, de fato, era um veículo das exigências políticas dos grandes cafeicultores abolicionistas.

Houve 4 dissidências dentro do PRP, comandadas por políticos descontentes com a cúpula do PRP e que foram preteridos na escolha dos candidatos do PRP à presidência do Estado ou outros cargos importantes.

A última dissidência resultou na criação do Partido Democrático em fevereiro de 1926, partido este que apoiou a Revolução de 1930. Essa última dissidência do PRP teve sua origem em uma crise ocorrida na maçonaria paulista, tendo o grão-mestre do Grande Oriente de São Paulo doutor José Adriano Marrey Júnior fundado o Partido Democrático.

A primeira grande disputa eleitoral entre estes PRP e Partido Democrático se deu em 1928 pela prefeitura da cidade de São Paulo através do voto direto, quando o PRP saiu largamente vitorioso.

O ataque mais sério ao poder de PRP foi a Revolta Paulista de 1924, que fez que o presidente Carlos de Campos se retirasse para o interior do estado, e organizasse batalhões em defesa da legalidade, conseguindo retomar o poder. Muitos membros importantes do PRP vestiram fardas da Força Pública de São Paulo atual Polícia Militar do Estado de São Paulo, organizaram e comandaram a resistência contra os revoltosos.

O PRP elegeu todos os presidentes do Estado de São Paulo na República Velha e elegeu 6 presidentes da República, embora dois deles não tomaram posse: Rodrigues Alves quando reeleito em 1918 não chegou a tomar posse por ter falecido e Júlio Prestes por causa da Revolução de 1930. O Dr. Washington Luís foi deposto em 1930.

Washington Luís foi um modernizador do PRP instalando uma administração técnica tanto na Secretaria de Justiça e Segurança Pública, (na chamada Polícia sem política), quanto na Prefeitura de São Paulo e no governo do estado.

O PRP foi derrotado nas eleições presidenciais de 1910 quando o presidente de São Paulo Albuquerque Lins foi candidato a vice-presidente na chapa de Rui Barbosa.

NA FOTO ABAIXO, O DR. ALBUQUERQUE LINS COM O BAIANO RUY.

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Os próceres políticos do PRP adquiram fama de bons administradores e homens probos, sendo que vários foram considerados estadistas.

Em geral, o PRP, na República Velha, era comandado pelo presidente do estado do momento. Os líderes que mais por tempo tiveram força na diretoria executiva do PRP foram o presidente Jorge Tibiriçá Piratininga, falecido em 1928, o Coronel Fernando Prestes de Albuquerque, e o Dr. Altino Arantes Marques, ambos falecidos após o término da República Velha.

 

O PRP e a Revolução de 1930

Em 1 de março de 1930, o candidato a presidente da República Júlio Prestes do PRP teve 90% dos votos válidos no Estado de São Paulo. Foi outra grande derrota que o PRP obteve contra o Partido Democrático que apoiara o candidato de oposição Getúlio Vargas. Júlio Prestes, porém, não tomou posse, atropelado que foi, pela Revolução de 1930.

Com a revolução de 1930, vários próceres políticos do PRP, inclusive o presidente eleito Júlio Prestes, que se licenciara do governo de São Paulo e o presidente da república Washington Luís foram exilados. O vice-presidente de São Paulo em exercício do cargo Heitor Penteado foi deposto em 24 de outubro de 1930, preso e exilado. O PRP não mais voltaria a governar São Paulo.

A partir de 1930, salvo poucas exceções, gaúchos e mineiros se revezariam na presidência da república, até a década de 1980. Nos 50 anos seguintes a 1930, gaúchos e mineiros estariam no poder federal por 41 anos.

O PRP foi perseguido pela Revolução de 1930 e a abominou.  Júlio Prestes, definiu assim a ditadura implantada em 1930, desonrava o Brasil:

O que não compreende é que uma nação, como o Brasil, após mais de um século de vida constitucional e liberalismo, retrogradasse para uma ditadura sem freios e sem limites como essa que nos degrada e enxovalha perante o mundo civilizado!

Júlio Prestes

Na Revolução Constitucionalista de 1932 o PRP e o Partido Democrático voltaram a se unirem no combate à ditadura do “Governo Provisório”, e, em 1933, o PRP participou das eleições para a Assembléia Nacional Constituinte através da “Frente Única por São Paulo Unido”, que foi a última vez, na história de São Paulo, que as forças políticas paulistas marcharam unidas.

Praticamente todos os membros do PRP tiveram suas carreiras políticas abortadas pela Revolução de 1930 e apenas alguns retornaram à política após a redemocratização do Brasil em 1945.

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Nos seus derradeiros anos de vida, o PRP lançou na política como deputado estadual constituinte, sua última estrela: o doutor Adhemar Pereira de Barros. Nessa época o PRP fez oposição ao governador Armando de Sales Oliveira não aceitando apoiá-lo quando se lançou candidato a presidente da república nas eleições marcadas para janeiro de 1938.

O PRP foi definitivamente extinto, alguns dias após a decretação do Estado Novo, em 2 de dezembro de 1937.

PRÓCERES DO PRP

Principais representantes

 Bibliografia

  • __________, Dados Biográficos dos Senadores de São Paulo – 1826-1998, Senado Federal, Brasília.
  • DEBES, Célio , Constituição, estrutura e atuação do partido republicano de São Paulo na Propaganda (1872 – 1889), Dissertação de Mestrado em História, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1975.
  • DEBES, Célio, Júlio Prestes e a primeira República, São Paulo, Edição Arquivo do Estado – IMESP, 1983.
  • EGAS, Eugênio, Galeria dos Presidentes de São Paulo e vice-presidentes, Seção de Obras de “O Estado de S. Paulo”, 3 volumes, 1927.
  • LEITE, Aureliano, História da Civilização Paulista, Edição Monumental do IV centenário da Cidade de São Paulo, 1954.
  • LIMA, Sandra Lúcia Lopes, O oeste paulista e a república, Editora Vértice, 1986.
  • OLIVEIRA, Percival de – O ponto de vista do PRP: uma campanha politica, São Paulo, São Paulo Editora, 1930.
  • SALES, Alberto – A pátria paulista, Brasília, Editora da UnB, 1983.
  • SALES, Manuel Ferraz de Campos, Da propaganda à presidência, Senado Federal, 2000.
  • SANTOS, José Maria dos, Bernardino de Campos e o Partido Republicano Paulista, Rio de Janeiro, Jose Olympio, 1960.

Uma resposta to “PRP – CELEIRO DE ESTADISTAS”

  1. Julio Says:

    Será que um dia o glorioso estado de São Paulo verá grandes como Julio Prestes e os demais membros do Partido Republicano Paulista?Governar um país como São Paulo não é tarefa para qualquer um.Parabéns pelo site.

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